PORTO ALEGRE

STP11-0803

Fundada por Jacinto Carneiro de Sousa e Almeida, visconde de Malanza, filho do barão de Água‑Izé, a roça Porto Alegre era a segunda maior propriedade da zona sul da ilha de São Tomé. Localizada na ponta sul da ilha e implantada numa grande península bastante isolada, o seu acesso era feito quase exclusivamente por via marítima.
Foi sede da Sociedade da Roça Porto Alegre, possuindo seis dependências, entre elas o Ilhéu das Rolas. A sua importância e dimensão fizeram desta roça uma verdadeira vila de pescadores. Devido ao seu isolamento era praticamente auto‑suficiente; produzia, secava, embalava e exportava todo o tipo de bens produzidos em São Tomé e Príncipe.
Esta roça tem uma organização muito particular, com a estrutura a confundir‑se e a dispersar‑se pela grande plataforma. Organizada de nascente para poente, tem uma alameda de coqueiros a enquadrar a casa principal e as casas dos empregados. No extremo poente, virado para o terreiro, situa‑se o bairro das sanzalas. A entrada da roça é feita entre o terreiro e a alameda, perto da casa do guarda. A norte do terreiro e da alameda localiza‑se toda a estrutura laboral da roça, com secadores, oficinas e armazéns. Junto ao mar está o ancoradouro de
embarque e, sobranceiro, numa pequena elevação, o complexo hospitalar. O armazém, contíguo à casa principal, é aparentemente o mais antigo dos edifícios ainda existentes, datado de 1918 e com a gravação do monograma RPA (Roça Porto Alegre).
As construções mais interessantes, devido ao seu desenho de características coloniais, são as duas casas que restam das cinco habitações dos encarregados. De um só piso, organizam‑se segundo uma planta quadrada, com uma grande varanda alpendrada feita a partir do avanço das coberturas. A casa principal, embora tenha sofrido profundas alterações na década de 1960, é dividida por dois volumes compostos por um piso contínuo e dois torreões nos cantos com acessos distintos. A fachada principal, ao contrário de muitas outras habitações congéneres, está virada para o mar e não para a estrutura do terreiro ou para a alameda da roça. As oficinas e os armazéns estão dispostos em linha, porém com diferentes alturas e alguns acrescentos, que acompanham a inclinação do terreno e a colina.





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