MONTE CAFÉ

STP15-0083

Localizada numa zona bastante acidentada, na região de Mé-Zóchi, a Monte Café é das roças mais antigas do arquipélago, tendo sido fundada, em 1858, por Manuel da Costa Pedreira.
Em 1910, a propriedade, pertencente então a D. Claudina Freitas Chamiço, abrangia uma área aproximada de 8600 hectares e estendia‑se desde a sua sede até à costa oeste, perto da roça de Santa Catarina.
Foi sede da Sociedade Agrícola Terras de Monte Café, tendo como dependências as roças de São Nicolau, Nova Moca, Saudade, Bemposta, São José, Santa Catarina, entre outras. Implantada a 670 metros de altitude, em terrenos bastante propícios para a cultura de café arábica, com 1080 hectares de área cultivada, assumiu um lugar de destaque como maior produtora de café e como uma das principais roças do país, sendo igualmente grande produtora de cacau.
Devido à sua dimensão e localização, na proximidade com a Vila da Trindade (onde era feito todo o apoio exterior e administrativo à operação roceira da zona), Monte Café tornou‑se um dos principais núcleos urbanos de São Tomé. Organizada segundo a tipologia «roça‑cidade», o seu conjunto edificado abrangia uma área com cerca de oito hectares, distribuídos por sucessivos patamares. Edifícios em diferentes cotas organizavam‑se em torno de um grande terreiro murado, para onde convergia toda a actividade da roça.
A norte, a uma cota inferior, localizam‑se o bairro das sanzalas e os estábulos. A parte administrativa concentra‑se à entrada, bem como o terreiro e a torre sineira, os armazéns e os secadores. A uma cota superior, e com ampla visibilidade para todos os espaços da roça, estão implantadas as casas do administrador e dos encarregados. Por fim, no último patamar encontra‑se o hospital e a capela mortuária.
A arquitectura da roça Monte Café sofreu apenas alterações de pormenor na traça original dos edifícios, reconhecível nos antigos registos iconográficos, mantendo‑se as soluções primitivas de volumetria, as varandas alpendradas, as escadas de acesso, as guardas e o recorte dos vãos. A grande casa principal tem três pisos, o último em forma de torreão a um canto. A sua construção é composta por alvenaria de pedra, com as varandas, escadas e guardas recortadas em betão. As varandas alpendradas não contornam o edifício e num dos topos o piso é vazado, criando um alpendre de grande dimensão.
O secador principal, talvez a obra mais interessante de todo o conjunto, é totalmente construído em madeira. É composto por dois grandes volumes que incluem uma guarita central elevada para casa do guarda, com a finalidade de vigiar os trabalhos durante o dia e manter a segurança à noite.
Na parte norte do terreiro encontra‑se uma outra estrutura de madeira de grande interesse, que servia de estufa e recolha dos tabuleiros de secagem. As sanzalas são mais um exemplo típico da construção de blocos em bandas duplas, com habitações viradas para ambos os lados, formando arruamentos, com três lavadouros numa das alas.
O património de Monte Café tem sido considerado como um espaço de encontro entre povos e culturas. Foi para tal determinante a contratação, como atestam os diversos registos, de coolies chineses oriundos da antiga colónia de Macau.





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